Automação financeira

Como funciona e como escolher o sistema antifraude do seu negócio

Publicado em . Atualizado em
Por Aline Steinwascher . Tempo de leitura: 15 mins
Na imagem, uma mulher de terno preto está segurando uma corrente presa a um cadeado com chave. A imagem simboliza a importância do sistema antifraude para empresas.

Em um ecossistema digital em constante expansão, a fraude não é apenas uma ameaça distante. É uma certeza estatística. Só no 1º semestre de 2026, o segmento de meios de pagamento registrou mais de 1,2 milhão de tentativas de fraude de identidade, segundo levantamento da Serasa Experian.

Com essa evolução, também surgiram novos riscos: fraudes digitais mais sofisticadas, engenharia social, falsificação de identidade e ataques automatizados. Como Chief Legal and Regulatory Officer do Asaas, acompanho diariamente os movimentos que moldam o cenário da segurança financeira no país.

Combater a fraude é uma questão de sobrevivência operacional e de confiança de marca. A tecnologia protege, mas também desafia. É nesse equilíbrio que nasce a importância de um sistema antifraude eficiente, capaz de proteger negócios, consumidores e reputações. Falarei mais adiante, confira!

Quais são as fraudes digitais mais comuns entre empresas?

As fraudes digitais cresceram em escala e complexidade. Segundo o Instituto DataSenado , são mais de 40 milhões de pessoas que perderam dinheiro, vítimas de um golpe ou fraude digital.

Milhares de tentativas de fraude são registradas em plataformas de pagamento, marketplaces e instituições financeiras. E o principal ponto de vulnerabilidade continua sendo o mesmo: o comportamento humano.

Hoje, a fraude não ocorre apenas por brechas tecnológicas, mas pela combinação entre engenharia social e dados expostos. Entre os tipos mais comuns que vejo, estão:

Tipo de fraudeComo aconteceSinal de alertaO que barra
PhishingMensagem, e-mail ou site falso “pesca” senhas, dados de cartão e CPF. É a porta de entrada dos golpes com engenharia socialUrgência, link encurtado, remetente parecido com o oficialAutenticação multifator e treinamento da equipe
Roubo de identidadeDocumentos vazados ou imagens criadas por IA abrem contas e fazem transações em nome de outra pessoa, como nos golpes com inteligência artificialSelfie com falhas, dados que não batem com o dispositivoBiometria facial e validação de documentos
Pix falsoComprovante adulterado ou cobrança com dados de recebedor trocadosComprovante sem o crédito correspondente no extratoConferir o recebimento na conta, nunca só no comprovante
Boleto falsoCódigo de barras ou beneficiário alterado. Veja como saber se o boleto é falsoBeneficiário diferente do emissor, valor ou vencimento estranhosConferir o beneficiário antes de pagar
Fraude amigável (chargeback indevido)O próprio titular do cartão compra e depois contesta, alegando não reconhecer a transaçãoContestação após entrega confirmadaAutenticação na compra e guarda de provas de entrega
Ataques automatizadosRobôs testam cartões roubados com valores baixos, senhas vazadas ou criam contas falsas em sérieMuitas tentativas do mesmo IP ou dispositivo em poucos minutosLimite de tentativas e bloqueio automático

Essas situações não se limitam a prejuízos financeiros. Envolvem riscos jurídicos, reputacionais e de conformidade regulatória.

Uma fraude mal gerida pode gerar diversos problemas para a sua empresa. Desde sanções administrativas, investigações até perda de credibilidade. Por isso, a prevenção é um investimento, não um custo.

Veja mais sobre golpes com engenharia social.

Qual é o papel do sistema antifraude?

Sistema antifraude é a estrutura de tecnologia, políticas e análise humana que uma empresa usa para prevenir, detectar e responder a tentativas de fraude em cadastros, acessos e pagamentos. Ele serve para proteger o caixa, os dados e a reputação do negócio, sem travar as transações legítimas dos clientes.

Na prática, ele avalia sinais de cada operação, como dispositivo, localização, IP, valor e frequência, e compara com o histórico do usuário. A partir disso, decide se aprova a operação, se pede uma verificação extra ou se bloqueia. Para entender melhor, imagine o seguinte cenário:

Vamos imaginar o seguinte cenário: você criou uma conta digital no Asaas. Nos nossos processos de verificação, temos a biometria facial, autenticação multifatores, entre outros. Você realiza todos eles.

Mas, por meio de um vazamento de informações de outro banco de dados, alguém tenta acessar a sua conta. No processo, enviam uma foto modificada via inteligência artificial.

Sem um sistema que impeça essa operação, a conta poderia ser invadida e usada para transações em seu nome. É para evitar que isso aconteça que usamos um sistema antifraude.

Hoje, com o uso de dados comportamentais e inteligência artificial, passamos a operar de forma preditiva: identificamos padrões suspeitos antes que o dano aconteça.

No Asaas, por exemplo, estruturamos nossa arquitetura de segurança com base em aprendizado contínuo. Cada transação gera dados que retroalimentam o sistema, tornando-o mais inteligente a cada novo caso.

Leia mais sobre golpes no cartão.

Compliance e regulamentação na segurança antifraude

A prevenção a fraudes em instituições de pagamento segue duas frentes de regras do Banco Central: a política de segurança cibernética, definida pela Resolução BCB nº 85/2021, e o compartilhamento de indícios de fraude entre instituições, previsto na Resolução Conjunta nº 6/2023. Na prática, ambas tornam a prevenção obrigatória.

A Resolução BCB nº 85/2021 obriga as instituições de pagamento a manter uma política de segurança cibernética. Em dezembro de 2025, ela foi atualizada pela Resolução BCB nº 538/2025.

A nova norma passou a exigir controles de prevenção, detecção e resposta a fraudes das instituições conectadas aos sistemas de pagamento, com prazo de adequação até 1º de março de 2026.

Como responsável pelas áreas jurídica, regulatória e de riscos do Asaas, acompanho a aplicação dessas normas no dia a dia, e elas fazem parte da nossa política de gestão de riscos e segurança da informação.

Investimos em prevenção a fraudes porque somos uma fintech autorizada pelo Banco Central. Afinal, o Asaas é uma plataforma financeira e operacional para empresas, que possui licença para atuar como SCFI. Também seguimos o padrão PCI DSS na segurança das transações com cartão e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) no tratamento dos dados dos clientes.

Como um sistema antifraude atua na prática?

Na prática, o sistema antifraude coleta sinais de cada operação, compara com o histórico do usuário, atribui uma pontuação de risco e decide em milissegundos se aprova, pede uma autenticação extra ou bloqueia. Tudo isso acontece em segundo plano, antes de o pagamento ser processado.

De forma simplificada, ele se baseia em quatro etapas principais:

  • Coleta de dados comportamentais e transacionais: cada pagamento, login ou solicitação gera um conjunto de dados, como localização, dispositivo, frequência, valor, IP, entre outros. Esses sinais são cruzados com o histórico do usuário para identificar comportamentos fora do padrão.
  • Modelagem preditiva e machine learning: modelos estatísticos aprendem com o histórico de operações e reconhecem variações sutis que indicam fraude. É a mesma tecnologia que vem se popularizando como inteligência artificial para pequenos negócios, aplicada à segurança.
  • Monitoramento em tempo real: diferentemente de auditorias manuais, o sistema antifraude atua continuamente. Ele avalia, pontua e, se necessário, bloqueia transações de forma automática.
  • Integração com mecanismos de autenticação: autenticação multifator, biometria e tokenização ajudam a garantir que quem realiza a operação é realmente quem diz ser.

No Asaas, cada uma dessas etapas opera em conjunto, formando uma barreira inteligente que se adapta à complexidade das transações.

Antes mesmo de um pagamento ser processado, o sistema já cruzou dezenas de variáveis para assegurar que a operação é legítima.

Leia mais sobre: como evitar golpes na Black Friday.

A camada humana de uma solução antifraude

Nenhum sistema antifraude é eficaz se a sua empresa não tiver uma cultura de prevenção. A meu ver, a tecnologia é poderosa e efetiva, mas a consciência é insubstituível.

É preciso que todas as áreas, da operação ao atendimento, estejam comprometidas em identificar e reportar comportamentos suspeitos.

No Asaas, a gestão de risco é um dos pontos mais importantes. Enquanto instituição financeira, estamos constantemente expostos a fraudes. É por isso que trabalhamos intensamente com nossos colaboradores para identificarmos situações e, assim, preveni-las.

Continue a leitura em: o Asaas é seguro?

Além disso, o time de Gerenciamento de Riscos e Controles Internos (GRCI) mapeia os riscos de cada área, registra os controles existentes na Matriz de Riscos e testa se eles de fato reduzem a exposição. A fraude financeira é um dos riscos mais relevantes desse mapeamento.

Os casos que fogem do padrão automático são avaliados pelo nosso time de Combate a Crimes Financeiros. Assim, além da camada tecnológica, temos a humana, que trabalha todos os dias contra fraudes financeiras.

Como escolher um sistema antifraude para a sua empresa?

Para escolher um sistema antifraude, avalie se ele analisa cada operação em tempo real, quantas transações legítimas recusa, quais canais cobre, como autentica o usuário e se o fornecedor é regulado pelo Banco Central. O sistema certo é o que protege sem travar as suas vendas.

Use estes critérios na conversa com qualquer fornecedor:

CritérioO que perguntar ao fornecedorPor que importa
Análise em tempo realA análise acontece antes de aprovar a operação ou depois?Fraude detectada depois do pagamento vira prejuízo ou chargeback
Falsos positivosQuantas operações legítimas são recusadas ou retidas?Cada cliente legítimo barrado é uma venda perdida
Cobertura de canaisProtege Pix, boleto, cartão e venda presencial com mpos?Fraudadores migram para o canal menos protegido
AutenticaçãoOferece biometria, autenticação multifator e tokenização de cartão?Confirma a identidade sem depender só de senha
Gestão de chargebackComo ajuda a contestar uma disputa?A fraude amigável chega semanas depois da venda
RegulaçãoÉ autorizado pelo Banco Central e certificado PCI DSS?Garante regras mínimas de segurança e proteção de dados
Análise humanaCasos ambíguos passam por um especialista?Modelos erram, e a revisão humana reduz bloqueios injustos

Quais as oniciativas de antifraude no Asaas?

No Asaas, a segurança de todas as nossas operações é uma prioridade. Com o aumento de casos de fraudes em nosso mercado, é cada vez mais importante nos mantermos atentos e atualizados.

Por isso, investimos em estrutura interna, com softwares confiáveis, para manter a segurança de nossas operações, além de pessoas qualificadas para manterem a conferência das transações.

Mas, de maneira geral, posso dizer que estruturamos nossa estratégia de segurança com base em três linhas de defesa, que integram tecnologia, compliance e resposta operacional.

1. Prevenção de fraudes no cadastro

A primeira camada atua antes mesmo da tentativa de fraude. Inclui a verificação de identidade, análise de comportamento, autenticação de dispositivos e validação de documentos.

Nessa etapa, identificamos inconsistências no perfil do usuário e aplicamos filtros preventivos.

A nossa política de Know Your Customer(KYC) garante a verificação da identidade dos clientes, prevenindo contra fraudes, lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas.

Além de garantir a segurança, também permite que a empresa esteja em conformidade com o Bacen.

Veja mais: o Pix é seguro?

2. Detecção de fraude em tempo real

A segunda linha utiliza algoritmos preditivos e modelos de machine learning para identificar padrões suspeitos em tempo real.

Por meio da análise de dados históricos e comportamentais, o sistema reconhece desvios sutis, como variação de IP, volume anormal de transações ou cadastros simultâneos.

Temos um time voltado especificamente para o acompanhamento destes monitoramentos, de Combate a Crimes Financeiros.

3. Resposta às tentativas mal-sucedidas

Quando uma tentativa de fraude é detectada, a ação é imediata: bloqueio da operação, notificação ao time de risco e comunicação ao cliente.

Esse processo automatizado reduz drasticamente o tempo de exposição e a possibilidade de dano. Assim, conseguimos garantir a segurança de toda a operação do Asaas, tanto dos nossos clientes, quanto para nossos colaboradores.

Cada camada de defesa foi desenhada para proteger transações, dados e, principalmente, a confiança dos nossos clientes.

Combate à fraude no Asaas.

Por isso que eu sempre digo que o sistema antifraude é, em última instância, uma forma de cuidado.

Cuidar da integridade das operações, da reputação da marca e da segurança das pessoas que confiam em nós todos os dias. Se a sua empresa quer crescer com solidez, comece pela segurança.

Conheça o ecossistema Asaas e descubra como nossas soluções antifraude ajudam negócios a transacionar com confiança e tranquilidade, desde a primeira cobrança.

Perguntas frequentes sobre sistema antifraude

O sistema antifraude pode bloquear uma compra legítima?

Sim. Todo modelo gera falsos positivos, quando uma operação legítima parece suspeita. Os bons sistemas reduzem esses casos com autenticação extra e revisão humana, em vez de recusar a operação direto.

O sistema antifraude evita chargeback?

Reduz, mas não elimina. O antifraude barra compras feitas com cartão roubado. Já a fraude amigável, quando o próprio titular contesta a compra, exige autenticação na venda e provas de entrega para ser contestada.

Pequenas empresas precisam de sistema antifraude?

Sim, mas raramente de um sistema próprio. Para a maioria das PMEs, o antifraude integrado à plataforma de pagamentos já cobre Pix, boleto e cartão, com manutenção feita por um time especializado.

Quais regras do Banco Central tratam de prevenção a fraudes?

As principais são a Resolução BCB nº 85/2021, atualizada pela Resolução BCB nº 538/2025, que exige controles de prevenção, detecção e resposta a fraudes, e a Resolução Conjunta nº 6/2023, que obriga as instituições a compartilhar indícios de fraude.

O Asaas tem sistema antifraude?

Sim. O Asaas é uma plataforma financeira e operacional para empresas, autorizada pelo Banco Central, e protege as operações em três linhas de defesa: prevenção no cadastro (KYC e biometria), detecção em tempo real com machine learning e resposta imediata com bloqueio da operação.

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Escrito por

Aline Steinwascher

Aline Steinwascher é CLRO do Asaas e especialista em Segurança e Tecnologia. Pioneira em inovação jurídica no Brasil, usa excelência técnica e visão estratégica para transformar o Direito em crescimento. Com vasta experiência em fintechs e cofundadora da Plain, ela garante no Asaas que a tecnologia opere sob um arcabouço legal robusto. Seu propósito é simplificar o Direito. Ela afirma: "Meu propósito é gerar impacto e mostrar que o Direito pode ser simples, estratégico e transformador." Confie na expertise de Aline Steinwascher.

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