Automação financeira

Existem plataformas de pagamentos com webhooks no Brasil? Entenda como funcionam

Publicado em . Atualizado em
Por Fernando Chagas . Tempo de leitura: 15 mins
Empreendedor mexendo no computador, pesquisando se existem plataformas de pagamentos com webhooks no Brasil

Se o seu financeiro ainda depende de alguém conferindo pagamentos, atualizando planilhas ou cruzando informações entre sistemas, o problema vai além do operacional. À medida que o volume de cobranças cresce, esse processo gera atrasos, inconsistências e retrabalho, e cedo ou tarde vira um gargalo para o crescimento.

A conferência manual pode ser substituída pelo webhook, recurso que plataformas de pagamento com API no Brasil, como gateways e contas de pagamento, já oferecem. Ele envia uma notificação automática ao seu sistema quando um Pix é recebido, um boleto vence ou uma assinatura é renovada.

Sou Fernando Chagas, CTO do Asaas, e acompanho de perto empresas que trocaram a conferência manual por integrações via API. Neste conteúdo, explico como o webhook funciona, que cuidados técnicos evitam erros e o que avaliar antes de escolher uma plataforma.

Por que as operações travam sem automação?

As operações travam porque o pagamento acontece em segundos, mas a confirmação depende de alguém conferir o painel. Segundo a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, foram registradas 240,8 bilhões de transações em 2025, 83% delas por celular ou internet banking.

Se você lida com pagamentos que chegam 24 horas por dia, a conferência manual só em horário comercial vai travar a sua operação. Ou seja, o cliente paga, mas não chega nenhuma notificação no sistema de uma nova venda, que automaticamente geraria outras ações posteriores.

Esse modelo gera problemas como:

  • Atraso na liberação de pedidos;
  • Falta de sincronização entre financeiro e operação;
  • Erros na conciliação;
  • Dependência de processos manuais.

No começo, isso pode até parecer controlável. Mas, com o aumento do volume, o risco cresce junto. Consegue ver como isso pode travar a sua operação?

O mais indicado é que, com o tempo e com o volume na quantidade de vendas, você precise de auxílio no processo. Neste caso, automatizar os seus processos e contar com a comunicação do próprio sistema é uma boa saída.

E essa automação pode ser feita de algumas formas, como, por exemplo, via webhooks ou ganchos de notificação presentes em sistemas via API de pagamentos. Vou explicar mais sobre eles a seguir.

O que é um webhook em plataformas de pagamento?

Um webhook é um mecanismo que permite que um sistema envie informações automaticamente para outro sistema sempre que um evento acontece. Quem dispara o aviso é a plataforma que processa a transação, como um gateway de pagamentos ou uma conta de pagamentos com API.

Então, imagine que, em vez de o seu sistema precisar consultar constantemente se um pagamento foi realizado (este processo se chama polling), a própria plataforma envia essa informação em tempo real. 

Na prática, acontece assim: sempre que um evento acontece, como um pagamento aprovado, uma cobrança vencida ou uma assinatura renovada, o webhook envia uma notificação ao sistema automaticamente com a atualização.

Ter esse gancho, que fica “levando e trazendo” informações, te faz economizar muito tempo, já que elimina a necessidade de consultas manuais, evidenciando o evento financeiro e a ação necessária para o processo.

Ida e volta de informações e notificações com e sem webhook

Como o webhook resolve problemas manuais da operação?

O webhook resolve a operação manual porque troca a conferência pelo aviso: quando o status de uma cobrança muda, o seu sistema recebe a informação e executa a próxima ação sozinho, seja liberar um pedido, dar baixa em uma fatura ou iniciar a régua de cobrança.

O resultado é um processo contínuo, sem interrupções e sem dependência de tarefas operacionais.

Por isso, qualquer negócio que precise de agilidade na entrega após a confirmação financeira se beneficia dessa tecnologia.

Alguns tipos de empresa podem se beneficiar mais, como:

  • Empresas SaaS (Software as a Service): são bastante utilizadas para liberar ou bloquear acessos instantaneamente quando uma assinatura é paga ou cancelada, para comunicar sobre um pagamento, parcelamento, etc.
  • E-commerces e marketplaces: ideal para iniciar a logística de envio assim que o pagamento via Pix ou cartão de crédito for processado, além de gerenciar reembolsos (chargebacks) de forma automatizada.
  • Negócios B2B e ERPs: para dar baixa automática em faturas e boletos, mantendo a conciliação bancária sempre em dia sem esforço manual.

Na gestão financeira, elimina a necessidade de conciliações manuais constantes, já que os dados são atualizados em tempo real. Enquanto na cobrança, permite criar fluxos automáticos para lidar com inadimplência, sem depender de acompanhamento manual.

No fim das contas, qualquer empresa que faça uso de uma API de pagamentos pode aproveitar os benefícios de notificações via webhook.

Como funcionam os webhooks em uma API de pagamento?

Os webhooks funcionam em quatro etapas: o evento acontece, a plataforma monta um resumo da transação em JSON, envia esse conteúdo por HTTP POST para a URL cadastrada por você e o seu sistema valida a mensagem antes de agir. Ninguém precisa abrir o painel.

E isso substitui aquela rotina cansativa de ter que abrir o painel da plataforma de pagamentos várias vezes ao dia para conferir se o cliente finalmente pagou o boleto.

Para o pequeno e médio empresário, essa perda de tempo com checagens manuais não apenas gera ansiedade, mas consome horas de atendimento e impede o negócio de escalar.

Veja o processo:

  • Ocorrência do evento: um cliente paga um boleto ou faz um Pix;
  • Geração do payload: a plataforma de pagamentos compila os dados dessa transação (ID do pagamento, valor, status “pago”) em um formato de dados, geralmente JSON;
  • Disparo (POST): a plataforma envia esses dados via uma requisição HTTP POST para uma URL que você configurou previamente no seu servidor (o seu endpoint do webhook);
  • Recepção e ação: o sistema recebe essa mensagem, valida a autenticidade e, em seguida, executa uma ação (ex: muda o status do pedido para “Aprovado” e envia um e-mail de recibo ao cliente).
Funcionamento de uma API com webhook.

Esse é o funcionamento do webhook. Enquanto diretor de tecnologia aqui do Asaas, já vi muitas empresas interromperem escala e estacionarem seu crescimento por processos manuais. Por isso, desenvolvemos os webhooks em nossa API de pagamentos.

Afinal, do que adianta ter um bom produto, realizar vendas, mas a sua operação ainda ser o motivo de você não alcançar novos patamares?

Como evitar erros na integração com webhooks?

A automação por webhooks, se implementada sem os devidos cuidados de segurança e atenção, pode gerar algumas complicações no seu fluxo.

Para evitar erros com webhooks, valide o token de cada requisição, trate eventos repetidos pelo ID, responda rápido e deixe o processamento pesado para depois. Esses quatro cuidados evitam as falhas mais comuns que vejo em integrações de pagamento, de confirmações falsas a pedidos liberados duas vezes.

É importante que você esteja atento a alguns pontos, como:

ErroO que aconteceComo evitar
Não validar o tokenTerceiros simulam confirmações falsasConferir o token em cada requisição
Ignorar duplicidadeO pagamento é registrado duas vezesSalvar o ID do evento e ignorar IDs repetidos
Processar antes de responderA plataforma entende como falha e reenviaSalvar o evento, responder HTTP 200 e processar depois
Responder com redirecionamento ou outro códigoA entrega conta como falhaCadastrar a URL final e retornar HTTP 200
Depender da ordem de chegadaOs status chegam fora de ordemUsar envio sequencial quando a ordem importar

O que avaliar ao escolher uma plataforma de pagamentos com webhook?

Ao escolher uma plataforma de pagamentos com webhook, avalie cinco pontos: quais eventos ela envia, como autentica as mensagens, o que faz quando a entrega falha, se mostra logs para auditoria e se oferece ambiente de testes. Também confirme se a empresa é autorizada pelo Banco Central.

Na minha experiência, o ponto que mais pesa depois que a integração está pronta é o que a plataforma faz quando o seu servidor falha. Sistemas saem do ar por manutenção, atualização ou instabilidade de rede.

Se a plataforma não reenviar nem guardar os eventos, o pagamento acontece e o seu sistema nunca fica sabendo.

Por isso, antes de fechar com um fornecedor, use a tabela abaixo como roteiro de perguntas:

CritérioPor que importaO que perguntar ao fornecedor
Eventos disponíveisDefine o que o seu sistema consegue automatizar. Sem aviso de cobrança vencida, por exemplo, a régua de cobrança continua manual.Quais eventos de cobrança, assinatura, estorno e chargeback são enviados? Posso escolher só os que vou usar?
Autenticação das mensagensImpede que alguém simule uma confirmação de pagamento falsa. (Falhas de autenticação ocupam o 2º lugar no OWASP API Security Top 10, o ranking de riscos de segurança em APIs.)Como valido que a requisição veio da plataforma: token, assinatura ou lista de IPs oficiais?
Reenvio em caso de falhaGarante que uma instabilidade no seu servidor não faça você perder um pagamento.Quantas tentativas são feitas, em que intervalos e por quanto tempo os eventos ficam guardados? O evento reenviado mantém o mesmo ID?
Logs de entregaPermite auditar o que chegou e corrigir falhas sem depender do suporte. Como os eventos costumam trazer dados de clientes, guardar esses registros também exige as medidas de segurança da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).Onde vejo o código de resposta, o conteúdo enviado e o status de cada entrega?
Ambiente de testesPermite validar a integração sem movimentar dinheiro real.Existe sandbox com os mesmos eventos da produção?
Autorização do Banco CentralMostra que a empresa opera sob regulação e supervisão do Bacen, o que pesa quando o assunto é o dinheiro dos seus clientes.A empresa aparece na consulta de instituições autorizadas do Banco Central?

Se a documentação da plataforma já responde a essas perguntas sem que você precise abrir um chamado, é um bom sinal de que a API foi pensada para quem vai integrá-la.

Veja mais sobre: checkout de pagamento.

Automatize sua gestão de pagamentos com o Asaas

Se você busca uma API moderna, com documentação amigável e um sistema de webhooks extremamente confiável para o mercado brasileiro, o Asaas é a escolha ideal.

Com a plataforma financeira e operacional para empresas do Asaas, você não apenas processa pagamentos via Pix, cartão de crédito e boleto, mas usufrui de um ecossistema completo para crescer e evoluir.

Ao optar por conhecer a API de pagamento do Asaas e usufruir dos webhooks do Asaas, você terá notificações das suas operações em tempo real. Veja algumas das funcionalidades disponíveis:

  • Confirmar pagamento automaticamente (Pix, boleto, cartão) e liberar acesso/entrega;
  • Atualizar status de cobranças: criada, vencida, paga, cancelada, estornada etc.;
  • Gerenciar assinaturas/recorrência: nova cobrança gerada, pagamento confirmado, falha de pagamento, cancelamento;
  • Disparar comunicações internas: e-mail/WhatsApp, abrir chamado, notificar equipe;
  • Conciliar financeiro/ERP/CRM: manter seu sistema sincronizado com o Asaas em tempo real.

Não deixe que atualizações manuais atrasem o crescimento da sua empresa. Conheça a API de pagamentos do Asaas e tenha suporte da cobrança à gestão do seu negócio.

Perguntas frequentes sobre webhooks

Como configurar um webhook em uma plataforma de pagamentos brasileira?

Embora cada plataforma tenha uma interface própria, o processo de configuração de um webhook padrão é bem parecido.

Primeiro, publique uma URL HTTPS pronta para receber requisições POST, cadastre essa URL no painel ou via API, escolha os eventos, defina um token de autenticação e teste no sandbox antes de ativar em produção. No Asaas, a documentação recomenda não usar a chave de API como token.

O que acontece se o webhook falhar ou não for recebido?

A plataforma fará novas tentativas automáticas de envio. Geralmente, essas tentativas ocorrem em intervalos cada vez maiores. Por exemplo, no Asaas, são até 15 tentativas, de 30 segundos a 3 horas de espera, com e-mails de alerta. Depois da 15ª falha seguida, a fila é interrompida: os eventos ficam guardados por até 14 dias e voltam a ser enviados quando você reativa a fila.

Qual é a diferença entre webhook e polling em APIs de pagamento?

A diferença entre webhook e polling está em quem inicia o aviso:

  • Webhook: acontece automaticamente. A plataforma avisa o seu sistema no exato momento em que o status do pagamento muda.
  • Polling: seu sistema precisa ficar perguntando repetidamente à plataforma se o pagamento já foi aprovado.

O Webhook é muito mais eficiente, rápido e consome menos recursos tecnológicos que o Polling.

Como receber notificações automáticas de pagamento sem conhecimento técnico avançado?

Você pode usar soluções prontas que não exigem programação, ou integrar uma opção simples, como o Asaas. Aqui, por exemplo, temos integração com parceiros como Pluga e Make, que facilitam a integração à sua plataforma.

Além disso, se você usa Nuvemshop, Shopify ou WooCommerce, basta instalar o aplicativo oficial do Asaas no seu meio de pagamento. A configuração é simples e rápida. Veja a documentação completa do Asaas para entender mais.

Se a loja ainda está em estruturação, veja como criar um checkout simples para vendas online.

O webhook pode enviar o mesmo pagamento duas vezes?

Pode. É comum que as plataformas entreguem eventos no modelo “pelo menos uma vez”, então um aviso pode se repetir após uma instabilidade. Salve o ID de cada evento e ignore IDs já processados. No Asaas, o evento repetido mantém o mesmo ID.

Posso testar os webhooks do Asaas antes de ir para produção?

Sim. O Asaas oferece o ambiente Sandbox para testes. Se você usa firewall ou WAF, valide os dois ambientes separadamente, porque o Sandbox pode usar IPs adicionais.

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Escrito por

Fernando Chagas

Fernando Chagas é Chief Technology Officer (CTO) do Asaas e especialista em Segurança e Tecnologia. Ele é o cérebro por trás das soluções robustas que impulsionam o Asaas no mercado de fintechs. Com vasta experiência em liderança, ele garante que a estratégia tecnológica esteja alinhada aos objetivos de negócio. No blog, ele compartilha insights sobre segurança e tendências, desmistificando conceitos complexos. Ele afirma: "Minha paixão é criar tecnologia que não só resolva problemas, mas que também inspire confiança e segurança." Confie na expertise de Fernando Chagas.

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