Como é ser Advogada Interna de uma Startup?

“Inovar é extremamente difícil.”

“Empreender é extremamente difícil.”

“Advogar é extremamente difícil.”

“Advogar com empreendedorismo e inovação, então, é triplamente difícil.”

Todos nós, Operadores do Direito, temos noção de como é difícil advogar em um mundo de transformação e extrema incerteza, uma vez que ao mesmo tempo que a sociedade evolui e transforma-se de maneira exponencial, o ordenamento jurídico tem dificuldade de acompanhar a transformação digital.

Porém, como já ressaltei em alguns textos anteriores, tenho que é nesse mundo em constante evolução que surgem novas oportunidades para aqueles que exercem a advocacia.

Lembro muito bem quando eu estava no último período da faculdade de Direito, realizando estágio em um escritório renomado na cidade em que eu vivo, quando surgiu a oportunidade de trabalhar, como advogada, em uma Startup da área financeira. Também lembro que muitos dos meus colegas e professores acharam loucura sair de um ramo tradicional do Direito para começar, do zero, em um Departamento Jurídico de uma empresa que, até então, eu não conhecia.

Pois bem, segue a conclusão: vale à pena.

Quando olhamos o conceito tradicional de startup usualmente encontramos palavras como: inovação, cenário de extrema incerteza, escalável e disruptivo. Começar um Departamento Jurídico em uma Startup, no meu ponto de vista, possui todos esses pré-requisitos e é um desafio que agrega muito valor a um profissional, especialmente no início de carreira.

De início, você não sabe com que tipo de empresa está lidando, tampouco conhece o ambiente regulatório. Aos poucos, você descobre o seu ramo de atuação, bem como passa a conhecer a Organização como um todo. Então, começam as situações cotidianas: consultorias trabalhistas, revisões de contratos, auxílio na resolução de problemas com clientes, até a resposta de processos, PROCONS, ida em audiências e em órgãos administrativos.

Quando você percebe, está muito mais do que “advogando”, mas vivenciando o que é trabalhar em um setor de empreendedorismo puro. Aos poucos você passa a conhecer o que é um venture capital, entende para que servem as stock options, o que é cláusula de vesting, até como preparar um material para a reunião de board e revisar um OKR… E é aí que está a inovação para os Operadores do Direito, na oportunidade de aprender diversos tipos de atividades e meios de trabalho que passam a agregar muito valor ao Jurídico, que passa a ser visto como um órgão estratégico.

Departamentos Jurídicos podem agregar muito valor ao negócio quando combinados com os valores e objetivos da Companhia, tanto na hipótese de Startups, quanto Multinacionais sedimentadas no mercado.

Em síntese, trabalhar com o Jurídico de uma Startup é a cada dia ter novos problemas para resolver, é sofrer com impasses regulatórios e ausência de regulação, é querer inovar em um ambiente tradicional, é ser ágil na solução de litígios. Enfim, é tentar cada dia agregar e disseminar os pontos positivos do Direito e do Compliance com as normas na Organização. É claro que nem todas as Startups necessitam de um Jurídico interno, o que depende muito do tamanho e do ramo de atuação, mas saber que os Operadores do Direito estão se preparando para lidar com as peculiaridades do ramo já é um grande passo rumo à inovação.

A verdade é que não é fácil atuar em ambientes de extrema incerteza, não importando a área, e a reflexão que fica é: e quem disse que seria fácil? Na minha humilde opinião, ser advogada interna de Startup é, todos os dias, modernizar o Direito para aplicação no caso concreto, é lidar com desafios inimagináveis e, mais que isso, é fazer com que a profissão do Advogado também seja valorizada nesse sedimento da Sociedade.

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A Autora
Gerente Jurídica e Compliance no Asaas
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