Você se preocupa com a sua operação funcionar com o caixa sempre “no limite”, mesmo com vendas acontecendo? A sensação que fica é de que o caixa não acompanha o ritmo da operação, certo?
Sempre que ouço isso, a minha primeira suspeita é a mesma: há um problema de necessidade de capital de giro (NGC). Esse termo, embora pareça complexo, corresponde ao quanto de dinheiro o seu negócio precisa ter para funcionar tranquilamente.
Na minha experiência como CFO do Asaas, percebo que grande parte dos problemas financeiros das empresas têm origem na falta de controle dessa métrica. Por isso, neste conteúdo, quero te explicar como calcular a necessidade de capital de giro e como esse número traz estabilidade e previsibilidade para o seu negócio.
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Por que o capital de giro é um dos pilares mais importantes da saúde financeira
Na correria do dia a dia, muitas empresas olham somente para o saldo de caixa ou para os resultados contábeis, acreditando que esse único acompanhamento basta.
Mas esse cuidado isolado esconde um problema: o descompasso natural entre as receitas e despesas da empresa. E o que isso quer dizer?
Geralmente, você compra matéria-prima, produz, vende e só depois recebe, certo? Mas, independente do ciclo de venda, a sua empresa segue tendo outras obrigações, como pagamento de fornecedores, salários ou outras contas.
Em alguns casos, é possível que você enfrente um desacordo entre o período da venda (até o recebimento) e o pagamento de suas obrigações. E, quando o dinheiro sai mais rápido do que entra, você precisa de capital para suprir as lacunas que podem ocorrer.
A demanda por recursos neste período entre recebimento e pagamento é a necessidade de capital de giro. Muitas vezes, por não ser reconhecida ou analisada, pode causar impactos severos para o seu caixa.
Então, a NCG define quanto dinheiro é necessário para o seu negócio continuar rodando sem surpresas, mesmo quando os ciclos de recebimento e pagamento não coincidam.
A falta de visibilidade deste controle é o que causa essa sensação de que a sua empresa vive no modo de aperto constante.
Se você não der uns passos para trás e realizar os cálculos corretos, acabará dependendo de crédito, adiamentos ou improvisos, desviando o foco do crescimento.
Qual é a diferença entre necessidade de capital de giro (NGC) e o capital de giro?
Antes de te explicar como calcular a necessidade de capital de giro, acho que é importante desenvolvermos alguns conceitos, principalmente entre termos que causam confusão.
O capital de giro e necessidade de capital de giro (NCG) não significam a mesma coisa, embora sejam relacionados.
O capital de giro em si corresponde ao montante que você já possui para financiar suas operações do dia a dia, como pagar fornecedores, comprar insumos, manter estoque e cobrir despesas imediatas.
Na prática, ele indica a folga financeira disponível para manter o negócio funcionando. Na contabilidade, esse valor é encontrado a partir da fórmula:
- Capital de Giro = Ativo Circulante – Passivo Circulante

Aprenda como calcular capital de giro.
Por outro lado, a necessidade de capital de giro (NCG) mostra o quanto a empresa realmente precisa para operar de forma saudável, considerando seus prazos de compra, recebimento e giro de estoque. É um indicador de gestão, diretamente ligado ao ciclo financeiro do negócio. A fórmula mais utilizada é:
- NCG = Estoques + Contas a Receber – Contas a Pagar

Enquanto o capital de giro revela o quanto a empresa tem, a NCG revela o quanto a operação de fato exige, considerando outros aspectos, como prazos de recebimento e pagamento, por exemplo.
Por isso, é comum que, ao comparar ambos os números, você perceba um desequilíbrio: se a NCG for maior que o capital de giro, o negócio precisa buscar alternativas para equilibrar o caixa.
Quando a falta de controle da NCG vira um problema real?
A maioria dos empreendedores só percebe a importância de conhecer a necessidade de capital de giro quando os problemas no caixa começam a aparecer.
Mas, isso só acontece pela falta de acompanhamento e porque os sintomas aparecem gradualmente:
- Você faz compras para o estoque sem planejamento ou necessidade;
- Seus clientes começam a atrasar pagamentos;
- As contas fixas chegam e acumulam antes das receitas;
- Fornecedores solicitam prazos menores de pagamento;
- Entre outras situações.
É por serem influenciadas por etapas graduais e sem planejamento, que é comum ver empresas crescerem em vendas, ao mesmo tempo que sofrem com falta de caixa.
Isso acontece porque vender mais não significa receber mais rápido. Pelo contrário: muitas vezes, significa financiar mais etapas da operação.
Por isso, sempre digo a todos os empreendedores que usam o Asaas: saber como calcular a necessidade de capital de giro é fundamental para a gestão financeira.
Como calcular a necessidade de capital de giro?
Já te expliquei acima, mas vou relembrar brevemente: a necessidade de capital de giro vai te mostrar o capital que a sua empresa precisa para funcionar, considerando o descompasso entre os recursos que precisam sair para manter a operação os que demoram a entrar.
Quando os prazos das obrigações não coincidem, sua empresa precisa “segurar” esse gap com caixa. E é por meio do NGC que você sabe a quantia necessária para suprir esses momentos.
Neste cálculo, você não vai considerar o valor que você tem em caixa, nem aplicações, impostos, empréstimos ou outras coisas que seriam importantes para compor o seu capital de giro.
Portanto, na prática, para calcular a NCG, eu aconselho que você realize as seguintes etapas:
1. Levante os dados de estoque
O estoque representa o tempo que o dinheiro fica “parado” até virar venda. Neste momento, é importante que você identifique o valor médio do estoque e o prazo médio da estocagem (PME).
O valor usado no cálculo da NCG costuma ser o saldo médio, porque ele reflete o ciclo real da operação.
2. Calcule as Contas a Receber
Aqui você entende quanto a empresa deixa “para depois” ao permitir que clientes paguem a prazo.
Então, aqui você precisa identificar o seu saldo médio de contas a receber e o prazo de recebimento (PMR).
Importante lembrar que, quanto maior for o prazo que você oferece, maior será sua NCG.
Continue a leitura em: controle de contas a receber.
3. Calcule as Contas a Pagar para saber a necessidade de capital de giro
É aqui que a operação ganha fôlego: quanto mais prazo o fornecedor te dá, menor é a necessidade de capital de giro.
Nesta etapa, você precisa avaliar o saldo médio de contas a pagar e o prazo de pagamento delas. Com essas variáveis, você consegue reduzir a sua necessidade de capital de giro.
Então, se aceita um conselho adiantado: é importante ter boas negociações com seus fornecedores.
Leia mais: mantenha um sistema de contas a pagar.
4. Aplique a fórmula para encontrar o valor do NCG
Com os valores médios em mãos, você conseguirá realizar a conta final, com a fórmula que te mostrei anteriormente: Estoque + Contas a Receber – Contas a Pagar.
Vou te mostrar um exemplo:
- Se o seu estoque médio totaliza R$ 50.000,00 em mercadorias que ainda não giraram;
- Você possui uma média de R$ 80.000,00 em contas a receber;
- Mas possui R$ 40.000,00 em contas a pagar;
- Neste mês, a sua necessidade de capital de giro será de R$ 90.000,00 para manter as operações no ritmo.
Este resultado evidencia quanto dinheiro a empresa precisa ter “disponível ou reservado” para atravessar o ciclo sem depender de crédito emergencial.
O que fazer a partir do resultado da NCG?
Se você já conseguiu calcular a sua necessidade de capital de giro, já deu um passo importante para a saúde financeira da sua empresa.
Porém, além de calculá-la, é importante saber o que fazer com ela. Então, vou te passar alguns pontos que você pode retirar da sua análise e implementar na sua gestão financeira, para auxiliar na tomada de decisões estratégicas.
- Reveja seus prazos de pagamento e recebimento: negocie com fornecedores para aumentar ou encurtar os prazos, e tente rever os prazos praticados com os clientes (aqui, você pode oferecer melhores condições de pagamento, por exemplo);
- Ajuste o giro de estoque: evite excessos que “congelam” capital. Aproveite a oportunidade para fazer uma revisão de todos os produtos, quais têm mais saída, estão parados há mais tempo, etc. Isso te ajuda a criar estratégias de venda;
- Faça um controle rigoroso das contas a receber e pagar: com uma planilha de fluxo de caixa, por exemplo, você evita surpresas com indesejadas;
- Crie uma reserva de liquidez: com um montante separado para cobrir suas despesas no ciclo, você consegue manter o equilíbrio até conseguir colocar em prática as ações de contenção da sua NCG;
- Avalie uma possível injeção de recursos externos: elabore um planejamento e entenda se a sua empresa está pronta para receber recursos, seja por meio de um aporte de capital, por exemplo, ou utilizando uma linha de crédito (como antecipação de recebíveis, sendo mais acessível), com consciência de custo-benefício.
Essas são as principais lições que você pode tirar após o cálculo da necessidade de capital de giro. Mas, por exemplo, se a resposta for positiva, você deve continuar encontrando formas de manter o equilíbrio e o sucesso da sua operação, combinado?
Em alguns casos, é preciso buscar auxílio externo para conseguir equilibrar o caixa e diminuir o gap entre entradas e saídas. Mesmo que não seja a saída ideal, existem linhas de crédito mais acessíveis que podem ser a melhor opção para o seu negócio.

Já conhece a antecipação de recebíveis do Asaas? Veja como você pode manejar a necessidade de capital de giro recebendo adiantadamente o crédito das suas vendas!

