Margem de lucro: entenda como calcular a rentabilidade da sua empresa

Por João Vitor Possamai
Publicado em 2 de setembro, 2014 | Atualizado em 20 de setembro, 2022

Você sabe qual é a margem de lucro de seus produtos ou serviços? Todo empreendedor deve entender bem esse conceito para realizar o planejamento orçamentário da empresa, afinal, esse quesito é essencial para a análise da saúde financeira.

Todos sabem que o lucro garante a permanência de um negócio, mas muitos profissionais ainda se confundem quando o assunto é calcular os ganhos e pensar na margem de ganho. 

Esse questionamento surge, principalmente, nos primeiros anos de empresa, afinal, o empreendedor está no início da jornada. Quanto antes você compreender a importância desse número para a sobrevivência, mais fácil será manter uma margem favorável.

Então, para te ajudar, listamos as principais informações que você precisa saber sobre a margem de lucro. Vamos conferir?

Conteúdo

O que é margem de lucro?

O primeiro passo é compreender a margem de lucro na prática, além da teoria. Para isso, existem dois conceitos que não podem ficar de fora: a formação do preço de venda e o retorno esperado.

No primeiro caso, o foco é a precificação, levando em consideração as etapas que estão inseridas na produção — custo com material, custos fixos e variáveis, recursos humanos, preço de mercado e expectativa de demanda, por exemplo. 

Quando falamos do retorno, deve ser avaliada a quantia conquistada com a venda dos itens e como esse valor pode ou não suprir as contas. Vale ressaltar que esses dois pontos devem ser avaliados antes de determinar a margem de lucro.

O lucro é a diferença entre o resultado das vendas e o custo para que esse produto ou serviço seja oferecido, ou seja, a “sobra” que fica no caixa após pagar todas as despesas. Definindo o preço de venda e o retorno esperado, fica mais fácil pensar na margem de lucro, calculando quanto deve ser gerado. 

Margem de lucro bruta vs. margem de lucro líquida

Outro ponto que sempre causa dúvidas é a diferença entre a margem de lucro bruta e a margem de lucro líquida. O segredo para compreender os dois mecanismos é entender as taxas e valores que devem ser calculados em cada uma das opções.

Isso porque quando falamos do bruto, a conta deve ser feita levando em consideração o lucro bruto, dividido pela receita. 

Para simplificar: aqui é preciso avaliar a quantia que restou após os gastos com matéria, mão de obra, produção e até mesmo com a divulgação. É importante ter em mente cada uma das despesas para que o resultado seja definitivo. 

Quando falamos da margem líquida, é necessário subtrair do número bruto as quantias que serão destinadas para as tributações, impostos, despesas fixas e variáveis.

Lembrando que as quantias gastas podem mudar de acordo com a área de atuação, com o público-alvo e até mesmo com o tamanho da empresa. Confira alguns itens que devem ser descontados: 

  • custos da produção: compra de material e  valores da fabricação;
  • impostos e tributos: DAS MEI,  IRPJ, entre outros;
  • custos administrativos: aluguel, IPTU, serviços de contador e salários dos colaboradores;  
  • despesas variáveis:  comissões sobre vendas, multas e atrasos na entrega do produto.

Importância de calcular a margem de lucro

Esse cálculo é primordial para a empresa, afinal, é dessa forma que há a identificação de quanto sobra. Muitos empreendedores utilizam a margem de lucro para avaliar o valor que está sendo investido e se é possível ter mais lucro. 

Por oferecer um panorama geral, essa conta deve ser avaliada antes de tomar decisões importantes, incluindo a participação em um novo negócio ou até mesmo a mudança em alguma etapa do processo atual, por exemplo.

Essa é uma conta periódica e que pode ser feita de tempos em tempos, dependendo da necessidade e até mesmo da elevação ou queda dos itens que compõem o processo interno ou dos itens externos que podem influenciar no resultado.

De início, o levantamento das informações e a conta podem ser passos difíceis, mas lembre-se que o resultado será utilizado como parâmetro para decisões futuras, assegurando que nenhuma escolha será feita sem análise.

Uma empresa que atua sem a margem definida tem mais dificuldade para vender e para manter o fluxo de caixa em dia, quesitos que são essenciais para o crescimento e desenvolvimento. 

Existe uma margem de lucro ideal?

Já foi possível compreender que, quando falamos da margem de lucro, o objetivo é avaliar quanto fica no caixa após o pagamento dos custos e dívidas. Mas muitos empreendedores questionam se existe um valor ideal.

A resposta é que essa porcentagem pode variar de empresa para empresa, dependendo do tamanho e até mesmo da área de atuação. Portanto, não há como utilizar um número ideal. O importante é encontrar uma porcentagem que seja lucrativa para o negócio.

É necessário manter a atenção para que essa quantia não sofra quedas, afinal, os custos já estão calculados e cada detalhe é importante para manter a saúde financeira em dia.

Nos casos em que esse número precisa ser modificado por conta de mudanças externas, é preciso ter em mente que o consumidor pode sentir essa diferença no bolso. Então, pense na quantia que será acrescentada e como o novo valor pode ser justificado.

Como calcular a margem de lucro

Agora é o momento de aprender a realizar a conta que vai definir a margem de lucro. Para isso, o primeiro passo é fazer um exercício reverso de análise dos preços, pensando no valor final — o preço de venda do produto ou serviço.

A partir desse número, que significa o preço que os consumidores estão dispostos a pagar, é necessário subtrair os custos de produção, de entrega, as despesas fixas, custos variáveis, impostos e outros encargos. O resultado será justamente o lucro da empresa.

Quando falamos de obter um percentual, a conta pode ser feita da seguinte maneira, de acordo com o exemplo:

Se o produto/serviço custa R$ 80, essa é a receita total. Se o custo de produção foi de R$ 40, o lucro passa a ser R$ 40. Então, basta dividir o lucro pela receita e multiplicar por 100 para encontrar a margem de lucro bruta. Nesse caso, o resultado será 50%.

Vale destacar que existem diversos formatos de cálculos. Alguns empreendedores preferem calcular os preços dos produtos a partir de sua expectativa de retorno, adicionando todos os custos de produção.

Após essa fase, ainda será necessário analisar o preço de mercado  e verificar se a quantia é maior ou menor do que aquele obtido nas contas.

Independentemente do formato escolhido, é importante ficar atento nos casos em que o resultado é negativo, já que esse índice indica que a empresa não está sendo eficiente. Esse deve ser um alerta para rever se o seu negócio está sendo capaz de competir com outros que atuam no mesmo segmento.

Nesse caso, repense na produção: é possível reduzir os custos? Como aumentar a produtividade? Caso isso não seja possível ou viável, talvez seja necessária uma mudança de área, porque o preço do mercado provavelmente não irá mudar — a livre concorrência determina automaticamente esses preços.

Lembre-se: alguns custos variáveis podem ser diluídos ao longo do tempo. A compra de uma máquina, por exemplo, pode ser parcelada em diversas vezes, o que acarreta um custo maior nesse período.

Posteriormente, com a quitação do pagamento, há expectativa de redução dos custos e, consequentemente, aumento da margem de lucro. 

Então, ao decidir os próximos passos do seu negócio, considere a possibilidade de ter que esperar um tempo mínimo para receber o capital inicialmente investido na compra de equipamentos e outros custos.

Esse é um exercício diário e que precisa fazer parte do dia a dia do empreendedor, afinal, ter segurança sobre os valores e margem de lucro são quesitos que vão distanciar a sua empresa de uma possível falência.

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