Quem de fato define a taxa de juros no Brasil?

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Taxa de juros é algo que a maioria da população brasileira conhece, principalmente a parcela que está atrás da realização do sonho da casa própria ou querendo efetuar a compra de um carro ou outro bem mais caro. Periodicamente, o COPOM se reúne para debater uma possível alteração dessa taxa e, diferentemente do que boa parte das pessoas imaginam, essa alteração não se dá via decreto assinado pelo Presidente do Banco Central ou pela simples mudança de um número em um programa de computador. Trata-se de um processo um pouquinho mais complexo do que isso.

Sabe o que é o COPOM e quais são as ferramentas utilizadas para alterar a taxa de juros? Conhece os motivos que o levam a fazer isso? Confira tudo isso agora!

O que é o COPOM?

Sigla para Comitê de Política Monetária, o COPOM é um grupo instituído pelo Banco Central, em 1996, para determinar as diretrizes da política monetária do país, analisar o Relatório Oficial de Inflação e definir a taxa básica de juros. Essa última, por sua vez, serve como uma espécie de meta para a taxa Selic, que é a responsável por pautar a taxa média dos financiamentos realizados no país.

Atualmente, as reuniões do COPOM acontecem, em média, com 45 dias de intervalo entre uma e outra. Dessas reuniões participam diversos diretores e chefes de departamentos do Banco Central, além, é claro, do Presidente dessa instituição financeira.

Como a taxa de juros é alterada?

O processo de alteração da taxa de juros começa com a estipulação de um valor por parte do COPOM. Definida a taxa de juros que deve ser alcançada, o Banco Central precisa ir ao mercado aberto e realizar a compra ou venda de títulos públicos.

Se a intenção for aumentar a taxa de juros, por exemplo, é feita a venda de títulos públicos por parte do Banco Central de modo que a quantidade de dinheiro em circulação na economia passe a ser menor, pois ele retira de circulação todo o dinheiro arrecadado.

Como a taxa de juros também pode ser compreendida como o preço do dinheiro ao longo do tempo, quando se diminui a oferta de dinheiro na economia, isso consequentemente aumenta seu preço, ou seja, a taxa de juros. O processo de diminuição da taxa de juros segue a mesma lógica, porém fazendo o caminho inverso, ocorrendo a compra de títulos públicos e não a venda.

Por que o COPOM aumenta a taxa de juros?

Por vezes, o COPOM opta por aumentar a taxa de juros pelo simples fato de que essa é sua melhor arma no combate à inflação. Como Banco Central trabalha com um regime de metas de inflação, em que a intenção é buscar sempre atingir os 4,5% — chamado de centro da meta — ao ano, quando a economia se distancia desse centro e principalmente quando ultrapassa seu teto de 6,5%, o COPOM opta por aumentar a taxa de juros para combater a desvalorização do poder de compra da moeda.

O que faz todo sentido, pois quando há menos moeda em circulação em decorrência da alta dos juros, o dinheiro restante passa a valer mais. Além disso, essa tática também serve para esfriar a demanda por bens, o que também segura os preços. A questão central, porém, é que existem vários tipos de inflação e, sendo assim, nem sempre a taxa de juros é eficaz no seu combate — como é o caso da crise atual que vivemos, por exemplo.

Por que o COPOM baixa a taxa de juros?

Baixar a taxa de juros, por outro lado, é uma ferramenta utilizada pelo COPOM para aquecer a economia e aumentar o consumo principalmente de bens financiáveis, como automóveis e imóveis. Essa tática, inclusive, foi amplamente utilizada no país para combater os efeitos da crise internacional de 2008 sobre nossa economia.

Por fim, sempre que o Governo consegue manter as contas públicas sob controle e gastar menos do que arrecada, ele também opta por baixar a taxa de juros tanto para diminuir sua dívida quanto para aumentar a taxa de investimentos internos no país.

Restou alguma dúvida sobre o tema? Deixe seu comentário e teremos o maior prazer em esclarecê-la!

O Autor
Vice-presidente no Asaas
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