Se você está construindo uma startup, provavelmente já ouviu que “crescer rápido é o mais importante”. Mas, com o tempo, está percebendo que o crescimento sem estrutura pode custar caro.
No desejo por escalar, muitos empreendedores focam em produto, marketing e captação de clientes. No entanto, acabam deixando a gestão financeira para startups em segundo plano. O resultado? Um ciclo de contas que não fecham e decisões tomadas no instinto, sem base em dados.
Como VP de Finanças Estratégicas do Asaas, já acompanhei dezenas de startups que nasceram com excelentes ideias, mas quase faliram por falta de gestão financeira. A boa notícia é que toda startup pode aprender a estruturar suas finanças, mesmo em estágios iniciais. É o que vou te ensinar nesse artigo.
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Qual a real importância da gestão financeira para startups?
Provavelmente você já associou a palavra “finanças” a algo burocrático, técnico ou distante da realidade dinâmica de uma startup. Mas a verdade é que gestão financeira da startup é o que dá sustentação à inovação.
Gerenciar bem o dinheiro é o que permite testar hipóteses, pivotar o modelo de negócio, investir em marketing ou contratar talentos estratégicos.
Quando uma startup entende seus números, ela deixa de operar no escuro e começa a tomar decisões baseadas em fatos, não em achismos.
Inclusive, a gestão financeira é um dos fatores mais observados por investidores. Um produto promissor atrai atenção, mas o que realmente convence quem investe é a clareza financeira. Ou seja, saber o custo de aquisição de clientes, a margem de lucro e o ponto de equilíbrio.
Não posso deixar de comentar que ter uma visão clara de finanças de startup também significa prever o futuro. Você deve entender o quanto o caixa aguenta, quais cenários são sustentáveis e quando é o momento certo de buscar capital.
O problema é que muitos desafios podem surgir nesse processo, mas com o método certo, é possível solucioná-los e obter sucesso no mercado.

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Quais são os principais desafios das finanças para startups?
Quando uma startup nasce, eu sei que o entusiasmo é o combustível. Mas, com o crescimento, surgem os primeiros desafios financeiros.
O primeiro é a falta de previsibilidade de receita. Como ainda não há histórico consistente de vendas e despesas, muitos fundadores têm dificuldade em projetar fluxo de caixa e planejar investimentos.
Isso leva a um comportamento reativo. Paga-se o que dá, corta-se o que parece caro e torce para o dinheiro durar até o próximo aporte.
Outro desafio é o controle financeiro de startups. Em um ambiente acelerado, com mudanças constantes de produto, equipe e estratégia, manter o registro organizado de receitas e custos pode parecer tarefa impossível. Só que é justamente essa desorganização que impede o crescimento sustentável.
Há também o erro de confundir lucro com caixa. É comum ver startups comemorando bons resultados no papel, mas sem dinheiro para honrar compromissos básicos.
O timing do investimento é outro ponto sensível. Buscar capital cedo demais pode diluir o controle da empresa e, tarde demais, pode comprometer a sobrevivência.
Esses desafios são naturais e enfrentá-los com estratégia é o que diferencia uma startup promissora de uma que desiste nos primeiros meses.
Nos próximos tópicos, vou te mostrar um método eficaz para solucionar todos esses desafios e ter as finanças startup saudáveis.
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Como construir uma gestão financeira de startup sólida?
Se você abriu uma startup, provavelmente já percebeu que o dinheiro some mais rápido do que entra. E não é por falta de esforço. Eu sei que o dia a dia é intenso e o crescimento exige decisões rápidas. Com isso, o financeiro fica sempre para depois.
Mas a verdade é que gestão financeira não é um mal necessário. É o que garante que a sua ideia continue viva e tenha espaço para crescer no mercado.
Empresas que dominam o financeiro desde cedo não só sobrevivem a tempos difíceis, como também crescem com previsibilidade e liberdade.
Então, antes de pensar em planilhas e métricas, vale uma mudança de mentalidade. Pense na gestão financeira como vantagem competitiva.
Agora, quero compartilhar princípios que aprendi ao acompanhar dezenas de negócios em estágios diferentes. Eles vão ajudar sua startup a ganhar maturidade financeira sem perder a agilidade.
1. Comece com clareza de propósito financeiro na startup
Toda startup nasce com um propósito de negócio, mas poucas definem um propósito financeiro. E é aí que os problemas começam.
Pergunte a si mesmo: o que o dinheiro representa para a sua empresa?
É combustível para crescer rápido? É segurança para enfrentar crises? É retorno para investidores? Quando você sabe o “porquê”, o “como” fica muito mais claro.
Por exemplo, uma startup que quer estabilidade vai tomar decisões bem diferentes de uma que busca expansão agressiva.
Na prática, funciona assim:
Se a meta é chegar à Série A, o foco está em métricas de tração, como CAC, LTV, churn. Mas se o objetivo é equilibrar as contas em 12 meses, o fluxo de caixa e o controle de custos são os seus melhores amigos.
Essa clareza evita conflitos internos, decisões impulsivas e aquela sensação de estar sempre apagando incêndio.
2. Estruture o controle financeiro da startup desde o primeiro dia
Muitos fundadores adiam o controle financeiro porque “ainda é cedo”. Mas é exatamente no começo que ele faz mais diferença.
Quando a empresa cresce sem uma base organizada, os números começam a se perder. O caixa fica confuso, o dinheiro pessoal se mistura com o da empresa e de repente você não sabe mais se está lucrando ou sobrevivendo.
O certo é organizar o essencial desde o início:
- Contas a pagar e a receber;
- Custos fixos e variáveis;
- Tributos, folha, encargos.
Lembrando que você não precisa de uma estrutura complexa para isso, mas precisa de visibilidade.
Uma boa prática é separar completamente as finanças pessoais das empresariais e centralizar tudo em um único sistema.
Startups que usam plataformas financeiras integradas, como o Asaas, conseguem visualizar entradas e saídas em tempo real, emitir cobranças automáticas e até gerar relatórios de desempenho. Tudo em um só lugar e de forma intuitiva, sem burocracias.
3. Monitore indicadores financeiro para startups que realmente importam
Existe um erro clássico entre startups de medir o que é fácil e não o que é importante. Ter muitos downloads, curtidas e seguidores é legal, mas não paga as contas.
Os indicadores financeiros para startups que realmente mostram a saúde do negócio são:
- CAC (Custo de Aquisição de Clientes): quanto custa trazer cada novo cliente;
- LTV (Lifetime Value): o quanto esse cliente gera ao longo do tempo;

- Churn: a taxa de cancelamento;

- Margem de lucro bruta e líquida: o lucro real;

- Runway: quantos meses o caixa aguenta antes de zerar.
Gosto de afirmar que são esses números que contam a história por trás do faturamento.
Quer um exemplo prático?
Se o seu CAC é de R$300 e o LTV é de R$900, tudo parece ótimo, até perceber que o churn está crescendo e os clientes estão saindo em dois meses. De repente, o LTV real despenca e o negócio começa a cair.
Acompanhar dados não é luxo, é sobrevivência. Sem eles, você dirige no escuro.
4. Faça projeções para startups, mesmo que imperfeitas
Startups vivem no terreno da incerteza, e tudo bem. Mas o erro está em usar isso como desculpa para não planejar.
Planejar não é adivinhar o futuro, mas se preparar para ele.
Para mim, o ideal é criar sempre três cenários possíveis:
- Um conservador (vendas caem, custos sobem);
- Um médio (o mais provável);
- E um otimista (quando tudo dá certo).
Esses exercícios mostram o que pode acontecer e te ajudam a reagir antes do problema aparecer.
Por exemplo, imagine que seus custos fixos são de R$80 mil e o faturamento médio é de R$100 mil. Parece saudável, certo? Mas se um aumento de 10% em fornecedores acontece, o lucro mensal cai pela metade.
Com projeções prontas, você já sabe o que precisa ajustar, antes mesmo de sentir o impacto no caixa.
E sim, dá para fazer isso de forma simples, como já disse aqui anteriormente. Sistemas de automação financeira, como o Asaas, geram projeções e relatórios em segundos, sem fórmulas complicadas.
5. Crie uma cultura de responsabilidade financeira
Gestão financeira não é função exclusiva do CFO ou do contador. É uma mentalidade que precisa estar presente em todas as áreas.
Quando o time de marketing entende o custo por lead, o de produto entende o impacto das ferramentas no caixa e o de vendas entende o ciclo de recebimento, a empresa inteira toma decisões mais inteligentes.
Uma dica prática que sempre dou é trazer o tema dinheiro para dentro das conversas. Mostre resultados, compartilhe metas, explique as escolhas financeiras. Isso cria senso de dono e transforma o financeiro em uma pauta de todo o time, não um assunto restrito à diretoria.
O papel da automação financeira no crescimento de uma startup
Uma startup financeira moderna, ou de qualquer outro nicho, entende que o tempo do time fundador é um recurso caro. Cada hora gasta em tarefas manuais é uma hora a menos investida em produto e inovação.
Por isso, automatizar processos financeiros é um divisor de águas.
Segundo um estudo da Conta Simples em parceria com a Visa, 39% (cerca de 7,5 milhões) das MPMEs (Micro, Pequenas e Médias Empresas) no país são marcadas por uma gestão financeira com controles manuais, planilhas dispersas e decisões tomadas mais pela intuição do que por dados.
Contudo, a transformação digital está mudando essa cultura. Uma pesquisa da Microsoft revelou que 93% das PMEs aceleraram sua digitalização desde a pandemia.
Além disso, o “Founders Overview 2024” revela que 78% das startups brasileiras já usam a IA (inteligência artificial) de alguma maneira.
No Asaas, já vimos startups que dobraram a eficiência da operação simplesmente ao automatizar a emissão de cobranças recorrentes e controlar os recebimentos por Pix ou cartão em um único lugar.
Com dados atualizados e relatórios precisos, o empreendedor consegue identificar gargalos, prever receitas e ajustar estratégias antes que os problemas apareçam.
Além disso, soluções de gestão financeira eliminam a necessidade de múltiplas ferramentas desconectadas. Tudo passa a conversar entre si e isso é o que dá à startup a agilidade que o mercado exige, sem comprometer o controle.
Quer ver esses resultados na prática? Abra sua conta digital no Asaas hoje mesmo e melhore as finanças da sua startup.

