Amortização: entenda o que é e como calcular

por 5 fev 2016Gestão Financeira

Publicado em 5 de fevereiro, 2016 | Atualizado em 10 de novembro, 2022

Você sabia que grande parte dos ativos de uma empresa, tangíveis ou intangíveis, perde valor ao longo do tempo? Essas perdas são quantificáveis, por isso, é imprescindível conhecê-las a fim de garantir uma gestão adequada do negócio, uma vez que elas podem trazer um impacto significativo sobre o crescimento da organização.

Ao discutir um ativo intangível, o processo de quantificação de perdas graduais de valor é chamado de amortização. Em contabilidade, amortização significa diluir o custo de um ativo ao longo da sua vida útil.

Os benefícios de reconhecer a amortização incluem, entre outros, mostrar a diminuição do seu valor contábil, o que pode reduzir o lucro tributável para a empresa em questão. Isso porque a amortização pode ser listada como uma despesa, mas também pode ser usada para limitar o valor do patrimônio líquido da organização.

Você quer saber o que é amortização, quais são os sistemas mais conhecidos e como é possível fazer o seu cálculo? Preparamos este artigo com informações completas sobre o assunto, trazendo um panorama que vai orientá-lo acerca das melhores alternativas de amortização e das recomendações de especialistas sobre o tema. Ficou curioso? Então, continue a leitura e descubra!

Conteúdo

Qual é a diferença entre amortização e depreciação?

Enquanto a amortização e a depreciação têm conceitos semelhantes, elas se diferenciam em aplicabilidade. A amortização é utilizada para ativos intangíveis, tais como patentes de invenções, licenças, marcas e boa vontade no mercado.

A depreciação, por sua vez, é aplicável aos ativos tangíveis que tenham valor residual. Sob o método linear de cálculo de amortização (que explicaremos adiante), as empresas só precisam dividir o custo inicial de um ativo pelo comprimento de sua vida útil. As organizações podem utilizar a depreciação para contabilizar pagamentos em ativos tangíveis, como prédios de escritórios e máquinas que suportam o desgaste ao longo dos anos.

Como é feita a contabilização de amortização no balanço da empresa?

Além de ser importante incluir amortizações e depreciações em um balanço, não fazê-lo com precisão pode constituir fraude. Afinal de contas, o valor de um ativo não é o mesmo depois de 5 anos, como era quando você o comprou.

Por isso, as empresas precisam tomar medidas para incluir esses valores em suas declarações de renda e folhas de contabilidade. O primeiro passo é avaliar o valor inicial do ativo, já que é impossível calcular a amortização corretamente sem saber o seu valor inicial. Você pode fazer isso pegando a fatura da compra.

Em seguida, você precisa saber o quanto de vida útil é deixada em seu ativo intangível. Por exemplo, digamos que você comprou uma patente de design de outra empresa, registrada em 2015; considerando-se uma vida útil de 15 anos, você pode inferir sua utilidade.

Valor residual

A terceira e última parte é determinar o valor residual de um ativo, se houver. Esse valor é importante, caso você queira vendê-lo em algum momento. Continuando o nosso exemplo: se você pretende vender a patente acima mencionada em 5 anos, então, seria responsável por determinar o valor residual de sua vida restante — os próximos 10.

Quais são os sistemas de amortização mais conhecidos?

Há três formas de amortização que são mais utilizadas: o Sistema de Amortização Constante (SAC), o Sistema de Amortização Crescente (SACRE), e a Tabela Price, também conhecida como sistema francês de amortização.

Cada um desses sistemas é indicado para um perfil específico, por isso, além de entender um pouco mais dos conceitos que envolvem cada um deles, você vai descobrir qual é o mais indicado para o seu negócio.

Sistema de Amortização Constante (SAC)

O SAC é um sistema pelo qual ocorre a amortização de uma dívida por meio de prestações periódicas, decrescentes e sucessivas. O cálculo respeita as regras de progressão aritmética, no qual o valor da parcela é composto por juros uniformemente decrescentes, e a outra, de amortização, que permanece constante.

O Sistema de Amortização Constante é o modelo mais utilizado em empréstimos e financiamentos imobiliários. No SAC, o valor das parcelas diminui ao longo do tempo, já que cada uma corresponde à amortização do principal, somada aos juros que são aplicados sobre o saldo devido.

O cálculo do SAC é simples, basta fazer a divisão do valor financiado pelo número de meses estipulados para o pagamento total do valor devido.

Por exemplo, em um financiamento de um imóvel no valor de R$ 200.000,00, com pagamento em até 380 meses e juros de 0,73% ao mês, a amortização será de R$ 526,31. Esse valor é obtido pela aplicação da seguinte fórmula: AMORTIZAÇÃO = PRINCIPAL/PERÍODO.

Com o valor da amortização em mãos, é preciso somar os juros que são devidos sobre o principal. No nosso exemplo, o cálculo seria o seguinte: PRIMEIRA PARCELA = AMORTIZAÇÃO + JUROS SOBRE O PRINCIPAL, ou seja, PRIMEIRA PARCELA = R$ 526,31 + 0,72% X R$ 200.000,00 = R$ 1.966,31.

Para calcular a segunda parcela, é preciso subtrair do principal a primeira amortização. Dessa maneira, o cálculo a ser feito é: SEGUNDA PARCELA = AMORTIZAÇÃO + JUROS x (PRINCIPAL – AMORTIZAÇÃO).

No nosso exemplo, o cálculo seria: SEGUNDA PARCELA = R$ 526,31 + 0,72% x (R$ 200.000 – R$ 526,31) = R$ 1.962,52. O cálculo vai sendo feito mês a mês, seguindo essa linha de raciocínio, até a conclusão da última parcela.

O SAC é um sistema que pesa no bolso nas primeiras parcelas, mas, ao longo do tempo, vai suavizando. Quem opta pelo SAC deve ter uma boa projeção financeira para os primeiros anos da obrigação. A dica para quem opta pela amortização constante é que sejam realizados pagamentos extras com frequência, já que isso reduz os valores das parcelas e o impacto financeiro no orçamento empresarial.

Esse sistema produz um montante de juros inferior ao da Tabela Price e levemente superior ao SACRE. Assim, é uma boa solução para quem precisa de um prazo maior para quitar a obrigação.

Tabela Price

A Tabela Price é um sistema de amortização muito utilizado em financiamentos de veículos, mas, em alguns casos, ela também é utilizada em financiamentos do setor imobiliário. Esse sistema utiliza, como amortização, parcelas de valor fixo durante todo o período em que perdurar a obrigação financeira.

Nesse caso, a parcela será calculada pela aplicação da seguinte fórmula: PRESTAÇÃO = VALOR PRESENTE x [(1 + taxa) n x taxa / (1 + taxa) n – 1]. Pela Tabela Price, o valor dos juros pagos é reduzido e é paga uma parcela crescente do saldo devedor. Assim, os juros diminuem porque o saldo devido também diminui.

A amortização pelo sistema Price tem um impacto constante sobre a empresa. Por isso, devem optar pela Price aquelas companhias bem estabelecidas e com projeção de crescimento acima da inflação durante os anos em que persistir o pagamento da obrigação.

Sistema de Amortização Crescente (SACRE)

O SACRE é um sistema que foi criado com o escopo de permitir a realização de uma amortização maior do valor emprestado, com a redução da parcela de juros sobre o saldo devido. Por isso, ela se inicia com prestações mais altas, sendo que elas se mantêm estáveis ao longo do pagamento da dívida — entretanto, em longo prazo, os valores vão diminuindo.

O sistema mistura conceitos do Sistema de Amortização Constante e da Tabela Price. Nesse sentido, o cálculo se repete a cada doze meses, com a redução dos juros do montante que já foi amortizado.

São utilizadas três fórmulas para o cálculo via SACRE. A primeira delas é da amortização, ou seja, AMORTIZAÇÃO = PRINCIPAL/PERÍODO. A segunda fórmula é dos juros, ou seja, JUROS = TAXA x SALDO DEVEDOR. A terceira é da parcela propriamente dita: PARCELA = AMORTIZAÇÃO + JUROS.

O valor obtido desse cálculo será pago no período de 12 meses. Ao fim desse, é preciso repetir o cálculo e a aplicação das fórmulas sobre o saldo devedor atualizado.

A amortização via sistema SACRE é uma mistura do SAC e do PRICE. Dessa maneira, é uma opção interessante para os empresários que não têm muita certeza quanto ao futuro dos seus negócios. Além disso, no SACRE, a empresa paga um montante de juros menor. Muito embora as parcelas sejam maiores do que o SAC no início do cumprimento das obrigações, elas vão sofrendo um impacto mais baixo sobre as finanças em médio e longo prazo.

Como fazer o cálculo da amortização?

O cálculo geral da amortização, sem considerar os sistemas citados, pode ser feito por meio da subtração de qualquer valor residual (ou seja, o valor de revenda) a partir do valor-base do seu ativo intangível (ou seja, o que você pagou por ele). Divida esse número pelo tempo (por exemplo, meses ou anos) remanescente em sua vida útil.

O resultado é a quantidade periódica de dinheiro que você pode amortizar. Ao gravar amortização em seu demonstrativo de renda, comece pelo débito da despesa de amortização.

Fazendo isso, você levanta os ativos, reduzindo a receita total. Em seguida, credite o ativo intangível para o valor da despesa.

Valor patrimonial

Listados no outro lado do lançamento contábil, um crédito diminui o valor patrimonial. Normalmente, as empresas incluem os lançamentos da amortização sob uma rubrica intitulada “depreciação e amortização” em suas declarações de renda. Não tenha medo de consultar seu contador para obter dicas sobre suas necessidades específicas.

Como você pôde ver, a amortização é um tema complexo que envolve conceitos e particularidades que devem ser avaliados pelo empresário. Conhecer esses conceitos e compreender qual das soluções é mais adequada para a sua empresa traz eficiência e qualidade para a gestão, melhorando o desempenho financeiro do negócio.

Já tem o costume de lançar as amortizações no seu balancete? Então, aprofunde o seu conhecimento! Confira, no nosso blog, um ótimo artigo sobre como microempreendedores podem criar um fluxo de caixa eficiente.

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