Se você está pensando em abrir uma empresa, já deve ter se deparado com uma questão importante: qual tipo de empresa abrir? Apesar de ser uma dúvida comum, a escolha impacta diretamente no ecossistema empresarial.
Isso porque a decisão inclui questões fiscais, jurídicas e financeiras. Ao longo da minha trajetória como empreendedor, me vi nessa situação durante a abertura das minhas empresas. Atualmente, como Executive Charmain do Asaas, converso com milhares de empreendedores que passaram exatamente por essa dúvida.
Por isso, vou compartilhar um pouco dos meus conhecimentos sobre abertura de empresas. Nas próximas linhas, vou te ensinar como saber qual tipo de empresa abrir.
Por que a escolha do tipo de empresa é estratégica?
Sei que o processo de saber qual tipo de empresa abrir pode ser complicado. Atualmente, no Brasil, existem diversas opções nas quais você pode se enquadrar.
Entretanto, você precisa entender uma coisa muito importante: esse processo não é apenas a formalização de um CNPJ. Tem muitas nuances por trás desta decisão, que estabelecem a base jurídica, fiscal e operacional de um projeto.
O tipo de empresa que você escolhe define, entre outras coisas:
- Responsabilidade dos sócios sobre dívidas e obrigações;
- Carga tributária e possibilidades de enquadramento em regimes como Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real;
- Burocracia e custos para abrir e manter o negócio;
- Imagem e credibilidade perante clientes, fornecedores e investidores.
Essa decisão já impactou diversas empresas. Conheci algumas que começaram como MEIs (Microempreendedores Individuais) e migraram para LTDA (Sociedade Limitada) no momento certo, escalando com mais segurança.
Outras, que começaram com um tipo societário inadequado, gastaram mais tempo e recursos para reorganizar o negócio.
Por isso que essa é uma decisão estratégica. Ela considera não apenas o presente, mas também o futuro: seu modelo de negócio, projeção de faturamento, necessidade de sócios, regime tributário e até o mercado em que você atua.
Saiba como migrar do Asaas CPF para CNPJ!
Comece entendendo seu modelo de negócio
Um dos primeiros passos desse processo de como saber qual tipo de empresa abrir, inclui criar um plano de negócios sólido.
Com isso, você terá um modelo para seguir e basear suas decisões. É por isso que, antes de escolher um tipo de empresa, você precisará mapear alguns fatores básicos, como:
- Volume de faturamento: você precisa estimar um teto anual, mesmo que seja conservador. Isso define se é possível abrir um MEI ou se já é preciso começar como ME ou EPP.
- Número de sócios: vai empreender sozinho ou em sociedade? Isso altera o tipo societário.
- Tipo de atividade: comércio, serviço, indústria, tecnologia? Há CNAEs que não permitem enquadramento no Simples Nacional ou no MEI.
- Necessidade de investimentos: pretende captar recursos ou trazer investidores? Alguns tipos societários são mais atrativos para isso.
Ao apoiar a gestão financeira de PMEs, já vimos microempreendedores individuais que se transformaram em empresas com ótimo faturamento.
Esse acompanhamento nos mostrou um padrão: quem dedica tempo para entender seu modelo de negócio antes de abrir o CNPJ, toma decisões mais assertivas e economiza no futuro.
Como saber qual tipo de empresa abrir?
Saber qual tipo de empresa abrir é, talvez, uma das tarefas mais abstratas desse processo de obtenção de um CNPJ.
Por isso que, se você ainda não tem as respostas para todas as questões iniciais que envolvem esse processo, sugiro que espere. Faça seu plano de negócio e tome as decisões importantes.
Mas, caso esteja no estágio de busca pelos tipos existentes, vou detalhá-los a seguir, com suas principais características, para que você possa visualizar melhor o que se encaixa ao seu projeto.
1. Abra um MEI (Microempreendedor Individual) para modelo simples
É o modelo mais simples e menos burocrático de formalização de CNPJ. E indicado para quem fatura até R$ 81 mil por ano.
Ideal para atividades de pequeno porte, prestação de serviços, autônomos e pequenos empreendedores.
O MEI permite que você contrate um funcionário, que deve receber o salário mínimo ou o piso da categoria.
Quando o assunto é tributação, ela é realizada de forma simplificada e unificada por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), com um valor fixo mensal que engloba os principais tributos.
Embora eu recomende o MEI como uma forma de começar um empreendimento, nem todas as atividades econômicas são permitidas. Além disso, se você tiver outro CNPJ, seja titular ou sócio, não é possível abrir uma empresa deste tipo.
Por fim, neste caso, o seu patrimônio pessoal e o da empresa são unificados, o que significa que as dívidas do negócio podem atingir os seus bens pessoais.
Leia mais: como abrir um MEI?
2. Abra um EI (Empresário Individual) para faturar um pouco mais
É o CNPJ ideal se você não se enquadra no MEI, e vai atuar sozinho, sem sócios. Além disso, é a escolha de empresa que vai faturar mais que o limite do MEI.
Neste caso, a sua responsabilidade é ilimitada, ou seja, não há separação patrimonial entre bens pessoais e empresariais. Em caso de dívidas, você responderá como pessoa física.
Neste caso, não há um capital social mínimo para a abertura. Diferente da MEI, também não há um faturamento máximo, já que esta determinação está ligada ao regime tributário e ao porte da empresa.
Continue lendo: como regularizar o CNPJ?
É importante lembrar que, se você pretende abrir uma empresa enquanto profissional regulamentado, como médico, advogado, engenheiro, etc., não poderá optar por este formato. A exceção é se a atividade for considerada um elemento de empresa.
3. Abra uma SLU (Sociedade Limitada Unipessoal) para separação patrimonial
Essa modalidade de empresa é ideal se você quer empreender sozinho, mas com separação patrimonial.
A Sociedade Limitada Unipessoal foi criada para substituir a EIRELLI (Empresa Individual de Responsabilidade Limitada). Mas, neste caso, não há a exigência de capital mínimo de 100 salários mínimos.
Neste caso, une a flexibilidade de não precisar de sócios com a segurança jurídica da separação patrimonial.
4. Abra uma LTDA (Sociedade Limitada) para ter sócios
As empresas Sociedades Limitadas (LTDA) são a opção ideal, se você busca criar uma sociedade.
Neste caso, permite que você tenha dois ou mais sócios. Há a limitação de cada um ao valor de suas quotas no capital social. Essas quotas são correspondentes ao investimento de cada sócio.
A constituição da empresa é formalizada por meio de um contrato social, que estabelece as regras de funcionamento e a relação entre os sócios.
Veja: como abrir empresa LTDA?
5. Abra uma S/A (Sociedade Anônima) para dividir capital em ações
As Sociedades Anônimas são usadas para empresas de grande porte ou que pretendem captar investimentos no mercado.
Neste modelo, o capital é dividido em ações, e não em quotas, como nas LTDA. A governança deste tipo de empresa é mais rigorosa.
Voltada para grandes empreendimentos, a S/A tem seu capital social dividido em ações, e não em quotas.
A responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações adquiridas. Existem dois modelos de S/A:
- Capital aberto: as ações são negociadas na bolsa de valores, permitindo a captação de recursos do público em geral.
- Capital fechado: as ações não são negociadas publicamente e a venda é restrita a um grupo específico de acionistas ou a convidados.
A administração é mais complexa, geralmente composta por um conselho de administração e uma diretoria.
É um modelo de administração que facilita a entrada de investidores, já que garante alta credibilidade para a sua empresa.
6. Abra uma Sociedade Simples prestação de serviços
As empresas que optam pela Sociedade Simples seguem, majoritariamente, a prestação de serviços por profissionais de uma mesma área.
O maior foco está em atividades de natureza intelectual, científica, literária ou artística, como escritórios de advocacia, clínicas médicas, consultórios de arquitetura, etc.
Assim como a S/A, também se divide em dois modelos:
- Sociedade Simples Pura: a responsabilidade dos sócios é ilimitada, e o patrimônio pessoal pode ser usado para pagar dívidas.
- Sociedade Simples Limitada: a responsabilidade dos sócios é limitada ao capital social, funcionando de maneira semelhante à LTDA.
É importante ressaltar que, além da natureza jurídica, as empresas também são classificadas quanto ao seu porte (Microempresa – ME, Empresa de Pequeno Porte – EPP, etc.).
E também quanto ao regime tributário (Simples Nacional, Lucro Presumido, Lucro Real), fatores que também influenciam na gestão e nas obrigações do seu negócio. A escolha do tipo de empresa mais adequado deve ser feita com o auxílio de um contador ou advogado especializado.
Próximos passos para definir o tipo de empresa sem erro
Como cofundador do Asaas, vivi de perto a evolução de negócios que começaram pequenos e hoje são referência no mercado. Vi desde profissionais autônomos que se formalizaram como MEIs, até startups que nasceram já como Sociedade Anônima para atrair investimento.
O que todos eles tinham em comum? Planejamento financeiro! Antes de formalizar o CNPJ, entenderam onde queriam chegar. Isso fez com que escolhessem o tipo societário que melhor atendia à sua estratégia.
Para ajudar, criei um roteiro prático e resumido, mas inspirado em tudo que vi nossos clientes colocarem em prática:
- Mapeie seu negócio: desde a atividade, faturamento, número de sócios, mercado, tudo o que você puder incluir no seu plano inicial;
- Consulte um contador: solicite um parecer técnico sobre o melhor enquadramento;
- Analise o regime tributário: verifique o impacto de cada opção sobre sua margem de lucro;
- Pense no futuro: se pretende crescer, abrir sociedade ou captar recursos, escolha um tipo societário mais robusto.
Outro ponto importante é considerar ferramentas de gestão. Desde o início, utilize soluções que facilitem sua vida financeira e operacional.
No Asaas, por exemplo, oferecemos um ecossistema completo para a sua empresa, que vai além da emissão de boletos ou cobrança.
Como o Asaas pode auxiliar na abertura e gestão da sua empresa
A partir da abertura do seu CNPJ, utilizar um sistema de gestão como o Asaas, possibilita a centralização de recebimentos, emissão de notas fiscais, automação de cobranças e até antecipação de recebíveis. Isso dá mais previsibilidade para quem está começando.
Muita gente pensa que só precisa de um sistema de gestão quando a empresa já está rodando. A verdade é que começar certo faz diferença. Então, com o Asaas, você poderá usufruir de recursos como:
- Emissão de notas fiscais;
- Cobrança automática multicanal (a régua de cobrança que reduz inadimplência);
- Antecipação de recebíveis para melhorar o fluxo de caixa;
- Consulta e negativação no Serasa;
- Gateway de pagamento e API para empresas digitais.
Tudo isso em uma plataforma única, sem mensalidade. É exatamente esse tipo de suporte que vi destravar o crescimento de muitas empresas no início.
Abra sua conta digital Asaas e dê os primeiros passos para o crescimento da sua empresa.
