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Quais os principais impostos para empresas? Veja mudanças de 2026

Imagem com formulários fiscais, calendário marcado, dinheiro e calculadora, representando impostos para empresas e declaração de renda.

Se você é empresário, sabe que gerir uma empresa implica não somente criar produtos ou oferecer serviços, mas também lidar com burocracias. Entre as mais comuns, os impostos para empresas ocupam uma posição bem alta nas obrigações da empresa.

Eles são uma contribuição financeira que todo negócio deve fazer para o Estado, e financiam desde a prestação de serviços públicos até o desenvolvimento socioeconômico do país.

Esses tributos estão passando por grandes mudanças com a Reforma Tributária. Então, mais do que nunca, se você tem ou está pensando em abrir um negócio, precisa conhecer quais são os impostos para empresas obrigatórios e os impactos desse novo cenário. Vou explicar mais a seguir.

Qual a diferença entre imposto e tributação?

A fim de garantir o funcionamento regular das empresas, todo país possui um conjunto de leis e normas que regulam a cobrança de impostos e demais tributos. Esse processo se chama tributação.

É a partir desse conjunto de regras que se determinam as obrigações das empresas: q uais documentos fiscais devem ser entregues, o valor de alíquota, a periodicidade de recolhimento, entre outras.

No Art. 3º da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), existe uma explicação prática sobre o que é tributo:

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“Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.”

Em outras palavras: o tributo é todo valor que você deve pagar ao governo, seja ele Federal, Estadual ou Municipal, de maneira obrigatória.

Os impostos, por sua vez, são um tipo específico de tributo. De acordo com o Artigo 16 da mesma lei:

“Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte.”

Vale lembrar que a tributação varia de acordo com o porte da sua empresa e o regime em que ela se enquadra.

Diferença entre Tributação, Tributo e Imposto
ConceitoDefinição
TributaçãoConjunto de leis e normas que regulam a cobrança de impostos e demais tributos.
TributoPrestação pecuniária compulsória, instituída em lei, que representa o valor pago ao governo (gênero).
ImpostoTipo específico de tributo cujo fato gerador é independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte (espécie).

O que acontece se eu não pagar os impostos da minha empresa?

Independentemente do porte, a sua empresa vai ter obrigações fiscais e tributárias para seguir.

Não pagar os impostos acarreta uma série de consequências negativas, tanto para o seu negócio quanto para você e seus sócios, se tiver.

O não pagamento acarreta algumas consequências bem ruins para o seu negócio, veja:

Durante minha trajetória profissional, enquanto especialista em gestão financeira e contas a pagar, já conheci muitos empresários que enfrentaram grandes problemas por não manterem o acompanhamento tributário.

Além de todas as consequências que citei acima, você também pode ser enquadrado no crime de sonegação fiscal, por suprimir o pagamento dos impostos.

Por isso é tão importante conhecer – e pagar – seus impostos em dia. Você conhece todos? Principalmente agora, com as mudanças da Reforma Tributária, é preciso entender quais são, para que servem e o que vai mudar. Vou te explicar mais a seguir.

Veja também: como pagar menos impostos.

O que muda nos impostos com a Reforma Tributária?

A Reforma Tributária repensa completamente a tributação sobre consumo de bens e serviços no Brasil.

O objetivo é eliminar a cumulatividade, reduzir a litigiosidade e simplificar o recolhimento dos impostos, que hoje são fragmentados em cinco tributos diferentes.

Com isso, o governo brasileiro implementou um novo tributo, bastante utilizado em outros países, mas que no Brasil sofre uma leve alteração: o IVA Dual. Ele transforma os 5 atuais em 2 principais (e um extrafiscal). Veja:

Novo tributoO que substituiCompetênciaQuando entra
Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS)PIS + COFINSFederal2026 (fase de testes)
Imposto sobre Bens e Serviços (IBS)ICMS + ISSEstadual e Municipal2027
Imposto Seletivo (ou Imposto do Pecado)Parte do IPIFederal2027

A CBS e o IBS juntos formam o chamado IVA Dual. Já o Imposto Seletivo é um imposto com caráter extrafiscal, focado na tributação de bens que são prejudiciais à saúde.

A alíquota-referência está estimada entre 26,5% e 28% (ainda a ser fixada em lei complementar), mas com um diferencial importante: o sistema de créditos passa a ser mais amplo, o que pode reduzir o custo tributário efetivo para empresas em cadeias produtivas longas.

Veja mais: o que é IVA?

O cronograma de transição da reforma tributária

A mudança não é imediata. O sistema antigo e o novo coexistirão por alguns anos até a substituição integral.

Durante a transição, é fundamental que sua empresa entenda o que vale em cada período.

PeríodoO que acontece
2026CBS entra com alíquota de teste (0,9%); PIS e COFINS seguem em paralelo
2027IBS começa a coexistir com ICMS e ISS; IS entra em vigor
2028–2032Redução gradual dos tributos antigos; aumento proporcional de CBS e IBS
2033PIS, COFINS, ICMS e ISS são extintos; CBS e IBS operam em alíquota plena

Quais são os principais impostos para empresas?

Agora que você entendeu as mudanças da Reforma Tributária, chegou a hora de conhecer e entender os principais impostos para empresas que ainda estão em vigência.

Abaixo, vou relacionar os tributos que permanecem ativos ao longo de 2026 e suas funções.

Note que, enquanto alguns mantêm sua estrutura vigente, outros já iniciam a jornada de transição para a nova sistemática fiscal. Separe o papel e a caneta e anote:

1. Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ)

O IRPJ incide sobre o lucro da empresa e é recolhido pelas companhias optantes pelo Lucro Real ou Lucro Presumido.

Já as empresas do Simples Nacional recolhem o equivalente ao IRPJ na arrecadação do DAS.

Geralmente, partem dessas alíquotas:

Saiba mais sobre o Imposto de Renda de Pessoa Jurídica.

2. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)

A CSLL tem destinação específica: financiar a seguridade social. Essa contribuição incide sobre o lucro líquido da empresa, após os ajustes previstos na legislação.

O CSLL é majoritariamente utilizado para custear despesas com saúde, previdência e assistência social. Essa alíquota é destinada às empresas enquadradas como Lucro Real ou Lucro Presumido

Empresas do Simples já realizam o pagamento no valor único do DAS, e MEIs são isentos do recolhimento deste imposto.

3. Programas de Integração e Seguridade Social (PIS e Cofins)

O PIS é uma contribuição social federal, que financia o pagamento do seguro-desemprego e do abono salarial, destinada às empresas privadas. Para servidores públicos, existe o Pasep.

Já o COFINS é a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, que incide sobre o faturamento das empresas e financia a Previdência Social, Saúde e Assistência Social.

Esses dois tributos incidem sobre o faturamento bruto da empresa e são os que passam pela mudança da Reforma Tributária. Ambos serão substituídos pela CBS a partir de 2026, com a extinção prevista até o fim da transição.

Como sempre, empresas do Simples Nacional já recolhem em guia única (DAS), variando de 0,54% até 3,30%.

4. Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)

De competência estadual, o ICMS incide sobre a circulação de mercadorias e a prestação de alguns serviços.

As alíquotas variam por estado e tipo de produto, geralmente entre 12% e 25%.

Será substituído gradualmente pelo IBS entre 2027 e 2033.

5. Imposto Sobre Serviços (ISS)

De competência municipal, o ISS incide sobre a prestação de serviços em geral, com alíquota entre 2% e 5%, dependendo do município e da atividade.

Ele, junto com o ICMS, será extinto pela Reforma Tributária após a transição, substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços.

A ideia é que haja uma alíquota única para todos os bens e serviços, acabando com as regras diferentes por tipo, como existe hoje.

6. INSS Patronal e FGTS

A contribuição previdenciária patronal incide sobre a folha de pagamento dos empregados, com alíquota de 20% no regime geral. Para empresas do Simples Nacional, o recolhimento está incluído no DAS.

Já o FGTS não é um imposto no sentido técnico, mas é uma obrigação acessória de peso: 8% sobre a remuneração bruta mensal de cada empregado, depositados em conta vinculada do trabalhador.

Como os regimes tributários afetam o imposto que sua empresa paga?

A carga tributária da sua empresa depende diretamente do regime tributário em que ela está enquadrada.

Entender as diferenças é decisivo, especialmente com as mudanças da reforma. Veja:

RegimeLimite de faturamentoComo é calculadoPara quem é vantajoso
Simples NacionalAté R$ 4,8 milhões/anoAlíquota unificada no DAS, por faixa e anexoPequenas empresas com margem variada
Lucro PresumidoAté R$ 78 milhões/anoIRPJ e CSLL sobre percentual presumido da receitaEmpresas com margem alta e custos menores
Lucro RealObrigatório acima de R$ 78 milhõesIRPJ e CSLL sobre o lucro efetivoEmpresas com margem baixa ou que operam no prejuízo

A escolha do regime tributário é uma das decisões mais impactantes para o caixa de qualquer empresa.

Quer um conselho? Consulte um contador ou especialista fiscal antes de fazer essa definição, especialmente agora, com o sistema tributário em transição.

E os impostos para MEI, como funcionam?

O Microempreendedor Individual (MEI) formaliza os trabalhadores autônomos e pequenos negócios com faturamento anual de até R$ 81.000

O modelo tributário do MEI é o mais enxuto disponível no país. Nesta modalidade, o Microempreendedor Individual recolhe seus tributos por meio de uma guia única mensal chamada DAS-MEI (Documento de Arrecadação do Simples Nacional para o MEI). 

O valor é fixo, independente do faturamento do mês, o que traz previsibilidade para o fluxo de caixa. Veja:

Categoria de atividadeINSS*ICMSISSTotal mensal (2026)
Comércio e Indústria5% do salário mínimoR$ 1,00~R$ 82,05
Serviços5% do salário mínimoR$ 5,00~R$ 86,05
Comércio e Serviços5% do salário mínimoR$ 1,00R$ 5,00~R$ 87,05

*Valores de referência para 2026, com base no salário mínimo vigente.

O pagamento em dia garante ao MEI acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria por idade, auxílio-doença e salário-maternidade, o que torna esse recolhimento ainda mais estratégico do que parece à primeira vista.

Continue a leitura em: como delcarar imposto de renda MEI?

E como funcionam os impostos para igrejas, ONGs e associações?

Nem toda organização que gera receita é uma empresa com fins lucrativos, e a legislação tributária reconhece isso.

Por exemplo, igrejas, organizações não governamentais (ONGs), associações e fundações têm um tratamento fiscal diferenciado, baseado na ideia de que sua finalidade é social, religiosa, educacional ou assistencial, e não a acumulação de lucro.

O principal benefício para essas entidades é a imunidade tributária, prevista na Constituição Federal. Mas imunidade não significa ausência total de obrigações, e confundir os dois conceitos é um dos erros mais comuns nesse segmento.

O que é imunidade tributária?

Imunidade é a vedação constitucional à cobrança de determinados tributos. Para entidades sem fins lucrativos, a Constituição Federal (Art. 150, VI, “b” e “c”) garante imunidade sobre:

A imunidade não é automática nem incondicional. Nós explicamos mais sobre isso nos conteúdos do blog; confira:

O que igrejas, ONGs e associações ainda pagam

Mesmo com imunidade, essas entidades não estão isentas de todas as obrigações tributárias:

A imunidade de igrejas é um dos temas mais debatidos do direito tributário brasileiro. Se sua organização se enquadra nessa categoria, a recomendação é contar com assessoria jurídica especializada, especialmente durante o período de transição da Reforma Tributária.

Lista de impostos que a igreja precisa pagar.

Veja mais em: igreja paga imposto?

Como melhorar a gestão de impostos e tributos de uma empresa?

Se você busca maior eficiência e segurança no pagamento de impostos para empresas, é possível utilizar um software de automação.

Existem diversas opções no mercado que centralizam as operações da empresa e que impactam diretamente na gestão tributária.

Por exemplo, sistemas de emissão automática de nota fiscal garantem o recolhimento correto dos tributos.

A plataforma financeira e operacional do Asaas, por exemplo, além da emissão de notas fiscais, também realiza o controle do fluxo de caixa diretamente pela plataforma.

Essas funcionalidades, além de outros recursos de gestão financeira, ficam centralizadas no mesmo sistema. A ideia é que, com a emissão dos documentos obrigatórios para a gestão fiscal e tributária, a contabilidade para empresas atue de maneira mais eficiente, evitando erros.

Com o Asaas, a empresa garante:

Com uma organização financeira sólida, é possível otimizar processos e melhorar o desempenho das operações. E, com isso, os impostos da empresa se manterão em dia, evitando problemas graves.

Conheça o sistema emissor de nota fiscal do Asaas e comece agora a otimizar os processos de gestão!

Perguntas frequentes sobre impostos para empresas

Quais impostos uma empresa paga todo mês?

Depende do regime. No Simples Nacional, o pagamento é feito por meio do DAS mensal, que unifica até 8 tributos. No Lucro Presumido ou Real, os principais são IRPJ (estimativa mensal ou apuração trimestral), CSLL, PIS, COFINS e, se aplicável, ICMS e ISS.

O que é o DAS no Simples Nacional?

O DAS (Documento de Arrecadação do Simples) é uma guia única que recolhe, em um só pagamento mensal, até 8 tributos: IRPJ, IPI, CSLL, COFINS, PIS/Pasep, CPP, ICMS e ISS. É uma das principais vantagens do regime para pequenas e médias empresas.

Com a Reforma Tributária, minha empresa vai pagar mais imposto?

Não necessariamente. A alíquota nominal do IVA Dual está estimada entre 26,5% e 28%. Mas o sistema de créditos é mais amplo, o que pode reduzir a carga efetiva para empresas que compram insumos tributados. O impacto real depende do setor e da cadeia produtiva de cada negócio.

Quando o PIS e o COFINS vão acabar?

Serão gradualmente substituídos pela CBS a partir de 2026, com extinção total prevista para 2033. Durante o período de transição, os dois sistemas coexistem.

O ICMS vai acabar com a Reforma Tributária?

Sim, mas de forma gradual. O ICMS será substituído pelo componente estadual e municipal do IBS (IVA Dual) entre 2027 e 2033.

O que é o Imposto Seletivo?

É um novo tributo que incide sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes. Substitui parcialmente o IPI e entra em vigor a partir de 2027.

Como trabalhadores autônomos, liberais e informais pagam impostos?

A forma de tributação depende essencialmente da estrutura que o profissional escolhe: atuar como Pessoa Física (CPF) ou Pessoa Jurídica (CNPJ).

Quando o profissional atua sem um CNPJ, a carga tributária costuma ser mais elevada devido à tabela progressiva do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física), que pode chegar a 27,5%.

Ele paga os impostos por meio do:

Impostos para tributação de profissionais autônomos.

Complemente sua leitura com:

Existem mudanças nos impostos para empresas do Simples Nacional?

Empresas optantes pelo Simples Nacional não serão incluídas no IBS/CBS nos mesmos moldes das demais.

A Reforma prevê um tratamento específico para o Simples, que poderá escolher entre se manter integralmente na tributação do sistema ou recolher impostos por fora, para recolher créditos tributários.

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