Na última sexta-feira (27), o CPO do Asaas, Eduardo Kruger, participou de um podcast da SaaS BR Club. Conduzido por Matheus Weigand, o bate-papo trouxe bastidores da evolução da área de produto da fintech, além de reflexões sobre IA, autonomia de times e construção de produtos orientados a resultados.
Com sete anos de trajetória no Asaas, Kruger compartilhou como liderou a expansão da área de produto. Quando chegou à empresa, o time contava com apenas quatro pessoas. Hoje, são mais de 100 profissionais dedicados à área, sem considerar as equipes de engenharia.
Segundo o executivo, o crescimento veio acompanhado da mentalidade de que produto precisa estar diretamente conectado aos resultados de negócio.
“O produto tem efetividade quando gera receita. Métricas como aquisição, receita e NPS fazem parte da rotina do time e dos nossos OKRs”, explicou durante a conversa.
Da engenharia ao produto: visão técnica a serviço do negócio
Durante a entrevista, Eduardo também revisitou sua trajetória profissional. Formado como desenvolvedor, iniciou a carreira programando — experiência que, segundo ele, continua sendo um diferencial na atuação como CPO.
A vivência técnica hoje permite que ele transite com mais fluidez entre áreas de negócio e tecnologia, facilitando a tradução de necessidades estratégicas em soluções executáveis pelos times técnicos.
Para ele, essa ponte é cada vez mais necessária em empresas de tecnologia, onde muitas vezes há um distanciamento entre quem constrói e quem define a direção do produto.
Outro ponto destacado foi a importância de manter o time de produto comprometido com indicadores. No Asaas, métricas de crescimento fazem parte dos objetivos dos squads, reforçando a responsabilidade da área sobre os resultados da companhia.
IA como meio para resultados estratégicos, não como fim
Um dos temas centrais da conversa foi o avanço da inteligência artificial no desenvolvimento de produtos. Para Eduardo, a adoção da IA já é irreversível e tende a ampliar significativamente a produtividade dos times.
Ele citou aplicações que já fazem parte do dia a dia das equipes, como apoio em documentação, transcrição, prototipação e análises. No entanto, fez um alerta importante sobre o posicionamento da tecnologia.
“O cliente não quer comprar IA. Ele quer o problema resolvido”, afirmou. Segundo o CPO, a inteligência artificial deve atuar nos bastidores, viabilizando jornadas mais simples e eficientes, e não como protagonista da proposta de valor.
Eduardo também destacou que o uso da IA não deve reduzir o esforço dos times, mas sim ampliar a capacidade de experimentação.
“Se antes validávamos uma hipótese, agora conseguimos validar cinco ou dez no mesmo tempo”, explicou.
Autonomia como antídoto à burocracia nas empresas
Ao falar sobre os desafios de escalar a área de produto em um ambiente regulado como o financeiro, Eduardo enfatizou que a chave está na autonomia bem distribuída.
No Asaas, a estrutura é organizada em tribos multidisciplinares responsáveis por diferentes frentes de produto. Cada tribo possui squads com autonomia para tomar decisões, o que evita gargalos e acelera a inovação.
“Se você centraliza tudo, a tendência é gerar processos morosos”, destacou.
Ele também reforçou a importância da humildade no desenvolvimento de produtos, já que todas as soluções passam por validação constante, incluindo testes A/B em produção.
Para o executivo, esse modelo cria um ambiente mais ágil e orientado a aprendizado contínuo, fator que ajudou a sustentar o crescimento do Asaas nos últimos anos.
A participação no SaaS BR Club reforça o posicionamento da companhia como uma das referências em estratégia de produto no mercado brasileiro de SaaS B2B, principalmente no segmento de soluções financeiras para pequenas e médias empresas.
